Âncoras de navios que vão mortos pelo mar

nada mal
re(mar)mos
entre
ret-
alhos
duma doença
que apavora
o peito
e dança
nos olhos
dum menino
duma sereia
uma doença
que se alastra
pelo cais da
cidade
em versículos
no cair
da tarde
leito do rio
nada mal
a(mar)mos
entre
espinheiros
o dia que nasce
no deserto
ao longe
raios
que vêm
do pacífico
um veleiro
em isla negra
uma mulher
com o sol
prisioneiro
num
espelho
uma bailarina
voz
dos rochedos
nada mal
derrar(mar)mos
entre
cântaros
gotas d’ondas
cordoalha
leme
e sal
em almudes
feituras
do aguaceiro
desenhos
de chuva
em lenços à deriva
do tempo
arma-
doria
preces de ventos
em bússolas
de adeus
nada mal
retor(mar)mos
entre
sussurros
a salmo-
dia
das horas
agras
de dentro
a fora
deprecar
aos céus
pelo mundo
pela sede
dos nevoeiros
âncoras
de navios
que vão
mortos
pelo mar

rudinei borges