+ Poesia de Rudinei Borges

Tessitura

Comunidade Santa Rosa. Vicinal Km 21 da Rodovia Transamazônica. Itaituba, oeste do Pará. Terras onde nasceu o poeta Rudinei Borges.

a voz que me tece
são linhas de anzóis quebrados 
algodão amarelado dos lençóis
trigo esfarelado dos paióis
feito pão nas manhãs
milho debulhado por mãos de mulheres
– fagulhas do céu no fim do mundo

canções de roda e rezas
procissões de maio
novenas de natal
pastores de barro
presépio de palha e bambu
meninos
de bicicleta
com asas de isopor

são cordéis de náilon
e bandeiras de papel crepom
foices e facões adormecidos no celeiro
a casa e o terreiro tomados pelo vento

o pai
a mãe
e o menino colhendo no ventre
as primeiras arras do alvorecer

rudinei borges

Na fotografia: Comunidade Santa Rosa. Vicinal Km 21 da Rodovia Transamazônica. Itaituba, oeste do Pará. Terras onde nasceu o poeta Rudinei Borges.

Um pensamento sobre “Tessitura

  1. A poesia do Rudinei são linhas traçadas nos caminhos das chamadas “terra natal”, muitas vezes não passam de recônditos de lembranças, às vezes boas às vezes deixando muito a desejar, mas que nos servem de reflexões, sim, porque não se ascende ao sucesso da vida sem um olho no passado, os anseios que foram e são frutos das expectativas; passado esse que nos trazem lembranças de tantas desventuras, mas que também nos conduzem as gratificantes realizações, são períodos árduos, mas que nos aliviaram da sofrência porque em fim, chegamos na vitória!

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