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O livro da embriaguez n.2

2.

Sou breve, porque sou triste.

O que brado com um milhão de verbos

Poderia ser dito num suspiro amargo.

Eu? Meu riso não basta.

Sou a ponte onde os meninos andam de bicicleta;

A vidraça dos edifícios; o automóvel prateado;

A lâmpada colorida.

Eu que não digo “pássaro” não digo “relva”.

Não entendo de sementes nem de colheitas.

O que é bucólico causa ânsias.

Não entendo os navios que partem,

Os trens que partem,

Os aviões que partem.

Fico feliz quando recebo uma carta.

Mas o temor que dorme escondido na sala

Balbucia sermões de desgraça.

Não leio. Não penso. Não espero.

Só a hora do almoço.

Sento à mesa como um troglodita faminto

E rezo para sentir sono outra vez.

Não há nada para fazer.

O que há é invenção tola.

Tenho preguiça de inventar.

.

O dinheiro sobre a cama.

Os livros sobre a cama.

O esperma seco nos lençóis.

Tudo é factóide, é relampeio.

Nada existe. Nem o cigarro e o relógio.

O futuro é uma porta

Que abre e fecha a mercê do vento.

Eu? Meu riso não basta.

Sou um romance sobre dois irmãos.

E tenho vontade de amá-los.

.

Não entendo de revoluções.

.

o livro da embriaguez n.2: rudinei borges

foto: sander

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