Poesia/Poesia Brasileira/Poesia Rudinei Borges

A hora tempestiva

[poemas em construção – rudinei borges]

XXI

Jhon.

Meu caro, Jhon Mc A’ teer.

Meu irmão. Meu pai. Meu amigo.

Todos os dias morre

um demônio

no corpo do cálice,

no cisto da tábua.

Jhon.

Meu caro, Jhon Mc A’ teer.

Meu irmão. Meu pai. Meu amigo.

 As ruas de minha aldeia são rastros daninhos.

 A imperatriz ronda a estampa do Cemitério marinho.

No cais

todas as mães

todos os dias

cozinham lágrimas:

pedra acre do último instante.

O sono. As veias das mãos

no arsenal de esporas.

Escorpiões.

Amar.

Onde fica a minha morada?

Por quantos dias dormi sobre os cílios da alvorada?

Ontem? Hoje?

Numa tarde de março

nadei entre naves vermelhas:

mau de maré manifesta: cor castanha.

Jhon.

Meu caro, Jhon Mc A’ teer.

Meu irmão. Meu pai. Meu amigo.

Que é esta crosta de cobre sobre as espinhas?

O tiroteio é um modo triste de viver a poesia.

Mas não sei adestrar cães.

Nem amolar faca na própria carne.

XXII

eu era

ainda era

naquela manhã

quando Herzog morreu

eu era

ainda era

o vento

no ventre

estéril

da mãe

eu era

ainda era

o canhão

nos olhos

do cão

eu era

a multidão

naquela manhã

quando Herzog morreu

diante da mão

aberta

de Maria

a Madalena

eu era

ainda era

a hora

tempestiva

o translado

triste

para o Cemitério

da Consolação

eu era

ainda era

a verve

no seios

cheios

de samba

no Limão

eu não

era

naquela manhã

quando Herzog morreu

§

plantei

               jacintos na terra seca

              numa madrugada estanque

plantei

              jacintos e auroras na terra seca

             auroras

            e canções para os galos

            como um poeta brasileiro

plantei

             roseiras e papoulas vermelhas

            no chão do bar

cravei

            nervuras metálicas

           nos olhos do menino-satã

e

dancei

          para Dionísio

[19.03.2011]

§

Amei a minha mãe

e ela me amou

– como uma mulher-pássaro.

Cravou no meu peito

prego e martelo.

Depois escondeu-me do mundo.

Mas o mundo

revelou-se

enviesado

– vertido em ferro.

[23.03.2011]

§

não

creio

no olho

cheio

de lágrima

creio

no espinho

na rosa

não

[30.03.2011]

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