Crônica

O natal

O natal. Sempre o natal. A teimosia das lâmpadas. A barba branca do papai noel. A árvore.  Os laços vermelhos dos presentes. As lojas cheias. O presépio. Anjos. Pastores. A manjedoura. O menino Jesus miudinho. Tudo é estranho no natal. Ando com uma mistura de saudade e raiva. O riso estampado no rosto das pessoas com uma montanha de sacolas dá um desânimo. A ditadura da felicidade. O consumismo de todos os anos. O natal. É isso. Dá uma saudade da mãe. Vontade de abraçar os meus, a gente da minha laia, as minhas pessoas amadas. É no natal que entendo a solidão em São Paulo. Que percebo que no meio desta multidão nas ruas ninguém faz parte dos meus. Onde estão os meus amigos? Para onde os mandei? Em que planeta os enfiei? Fico com uma vergonha de reclamar das coisas. Hoje em dia a gente não pode mais confessar que está triste. Todo mundo é obrigado a ser definitivamente feliz. Foda-se esta felicidade superficial. O natal. A teimosia das lâmpadas. “Um dia num lapinha um grande caso se deu, um garotinho bacana nasceu”. O natal. O Cristo e tudo que veio depois do Cristo. Aquele menino miudinho não é Jesus. Não pode ser. Não o reconheço. Este Cristo que vendem nas igrejas fede. Não entendo. O natal. Sempre o natal.

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