Poesia/Poesia Brasileira

A indiscutível força da poesia

Por Rudinei Borges

 No dia 4 de novembro a Biblioteca Central do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo realizou o I Concurso de Poesia. O evento recebeu poemas de vários alunos da escola. Foram selecionados para a noite de apresentação os trabalhos de Raony Braga, Gustavo Scatigna, Mariana Trevisan, Paulo de Oliveira, Andréa Caldeira, Marina Massayo, Gabriel Carvalhal, Natasha Stella, Luan Iaconis e Gustavo Cordeiro.

Numa entusiasmada homenagem aos 100 anos de nascimento do cantor e compositor Adoniran Barbosa, o  espaço para leitura da biblioteca transformou-se num boteco à luz de velas. Um grupo de músicos interpretou as principais composições do artista brasileiro.

Adoniran Barbosa é um dos mais admirados compositores do Brasil. Nascido em Valinhos, em 6 de agosto de 1910, foi na cidade de São Paulo que o maestro das ruas – autor de Trem das onzes, Saudosa maloca e Samba do Arnesto – ficou conhecido. Em suas músicas, Adoniran optava por letras repletas de poesia que enalteciam o modo de falar do povo simples. Muitos poetas brasileiros, influenciados pela Semana de Arte Moderna de 1922, também optaram por este caminho.

O concurso contou com a colaboração de um corpo de jurados formado por escritores e professores de Língua Portuguesa. Dos dez poemas classificados o júri elegeu os três melhores. Os poemas vencedores foram Amor igual a morte de Raony Braga, Óculos escuros de Luan Iaconis e Luz negra de Marina Massayo.

Todos os poemas selecionados são marcadamente caracterizados por significativa qualidade poética: domínio da escrita e concisão; capacidade de sugerir emoções e construir imagens. A maior parte dos trabalhos foi escrito em primeira pessoa, o que demonstra forte interesse dos poetas em manifestarem, por meio de versos e estrofes, uma visão de mundo particularizada e íntima.  É o caso do poema vencedor, Amor igual a morte. Logo no primeiro verso, numa referência ao vai e vem da vida, o poeta dispara: “há quem peite a minha face serena”. Em Luz negra, a poeta Marina Massayo abre as janelas de um universo sombrio: “Nas trevas, não há sonhos nem desejos./ Há apenas a saudade/ Do que, na verdade/ Nunca tivemos”. Em Óculos escuros, Luan Iaconis, dialoga com a angústia do poema de Marina, o poeta escreve: “Sei que não é dia/ E que o sol já virou escuridão”. Noutro momento, Luan desabafa: “Minha visão está cansada, por favor me deixem esconder”. Na verdade, os poemas vencedores estão impregnados por indagações corajosas sobre o sentido da existência. Não há resposta certa para o que eles questionam.

Os outros trabalhos também se destacam. Eles exploram o aspecto caótico da vida, a “descoberta do ser”, como no título do poema de Mariana Trevisan ou como no verso conciso de Paulo Oliveira: “Sozinho sou”. Em Metrópole da confusão Gustavo Scatigna confessa: “Ando de um lado a outro/ procuro algo,/ Só não sei o que”. É “o universo com as incógnitas da humanidade”, como Andréa Caldeira conclui em Há algo maior. O próprio título do poema de Andréa denota esta procura ativa pelo sentido das coisas. O que está aí não é tudo, não satisfaz. A televisão não é a resposta para tudo, como afirma Gustavo Cordeiro no prólogo do poema Do ludo ao Senegal.

O que houve de melhor do I Concurso de Poesia, realizado pela Biblioteca Central do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, foi a renovação da capacidade de questionar os meandros taciturnos da existência que a juventude possui – de modo invejável. Como também foi a prova que permanece viva a força que só a poesia tem de mover e comover o ser humano.

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