Cartas/Felipe Garcia de Medeiros

Sobre “O barco vazio” [Outra carta para Felipe Garcia de Medeiros]

1. Preciso dizer que permaneço em silêncio e o teu poema, “O barco vazio”, dá uma alegria – sentimento forte que bate dentro da gente. O grande poema não é de Drummond, decerto. Creio que o teu mestre é Cabral. João Cabral de Mello Neto. Mas para que um poema tão grande quando vivemos em tempos onde a síntese é que é o verdadeiro desafio? A grandiosidade é questionável?

2. Porém, o que percebo em teu escrito, permita-me dizer, é uma força estranha, corajosa. É beleza tanta. Lembra algo do “Cemitério Marinho” de Valery. Ou queres alçar voo como Ezra Pound?

3. Creia: Rosa é nosso Joyce. O nosso mal é escrevermos numa língua pouco falada. E Fernando Pessoa é grande, porém não duvido da força de um Drummond, Cabral e Bandeira. Em língua portuguesa, o século XX é brasileiro. E, decerto, será o XXI.

Até mais, meu caro.

[Rudinei Borges]

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