Poesia/Poesia no papel

Poesia no papel

O papel é matéria. A poesia no papel está materializada como a palavra no corpo do ator no teatro.

As cores esbranquiçadas ou amareladas de uma página, o cheiro dos livros velhos e novos são sensações que não podemos explicar facilmente e permanecem vívidas na memória do leitor.

Lembro-me da pequena Biblioteca Rui Barbosa, no centro de minha cidade natal, na rua do cais, de frente para o Rio Tapajós, no interior do Pará. Durante muito tempo foi a única biblioteca de Itaituba. Recordo-me dos alfarrábios, dos atlas, das fotos antigas dos barões da borracha. Lá encontrei “Chove nos campos de Cachoeira”, o romance de Dalcídio Jurandir e um dia deitei sobre as mãos uma antologia de poemas de Adélia Prado. Queria levar aquele livro para casa, mas não podia. Não era meu.

Durante anos sonhei que compraria livros e os teria aos montes. Com anos, consegui algum dinheiro e pude comprar os meus primeiros livros: a poesia completa de Rimbaud e Fernando Pessoa; as peças de Samuel Beckett, os romances de Milton Hatoum e Edilson Pantoja; os contos de Juan Ramón Jiménez; os versos de Welton de Sousa, Ricardo Albuquerque e Edner Morelli; os artigos de Sidnei Ferreira de Vares. Toda a poesia de T. S. Eliot fica à minha frente num livro de laudas finas. Eu as folheio quando quero e as levo para qualquer lugar.

O papel, acreditem, também é poesia. Poesia viva quando entregue às mãos afoitas do leitor.

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