127 Fundos Cia. de Teatro/Poetas de Vidro

Estreia a intervenção cênica Poetas de vidro

[Foto de Danilo Marian Pericoli]

[por Alex Dias]

Celebrou-se sábado passado, dia 4 de setembro, um marco importante para artistas, poetas e para a comunidade do bairro Aclimação: a junção de um anseio artístico-poético com o trabalho social que teve como palco um espaço criado para a propagação da cultura – O Centro Cultural Casa de Barro.

Localizada na Rua Antonio Tavares no 152, a Casa de Barro é a sede de uma associação formada em 2009 por amigos e familiares de diversas áreas, com o interesse comum em ampliar o acesso à cultura. Raphael Galvano, que coordena a sede, acolheu o projeto de Rudinei Borges auxiliado por Marcus G. Rosa, – ambos poetas e alunos da SP Escola de Teatro e mestrandos respectivamente na USP e UNESP– em processo de formação embrionária do que tornar-se-ia a 127 Fundos Cia. de Teatro.

Desde junho delineou-se uma rotina de ensaios, oficinas e audição para a montagem de Poetas de vidro, uma intervenção cênica composta por monólogos costurados a partir da obra de cinco poetas do bairro Ipiranga e região. Os poetas Rudinei Borges, Welton de Souza, Edner Morelli, Norival Leme e Ricardo Albuquerque deram voz e palavras aos corpos e vozes dos atores Francesca Cricelli, Dias Filho, Fábio Gonzáles, Rosana Keully e Bruna Lima. Um caleidoscópio poético de memórias alicerça a intervenção cênica que permanecerá em cartaz durante todo o mês de setembro aos sábados na Casa de Barro – dias 11 e 25 às 19h00 – e no SESC IPIRANGA dia 18, às 18h00, em ocasião da comemoração do aniversário do bairro. A apresentação no SESC será seguida de um bate-papo com os poetas

A intervenção Poetas de Vidro é um percurso cênico e poético de uma hora, nesta trajetória o público acompanha em cada cômodo da Casa uma história, uma constelação de memórias, mais do que monólogos os atores apresentam solilóquios – um tipo de monologo interior, recurso amplamente utilizado por personagens marcantes da memória literária e dramatúrgica ocidental como Hamlet de Shakespeare e Molly Bloom de James Joyce – verbalizando histórias distintas e esparsas que se constituem – ora harmonicamente ora ruidosamente – sob o mesmo céu da poesia

A estética das cenas pretende dialogar com as inspirações aportadas pela peça A classe morta de Tadeuz Kantor, pelos filmes Terra em transe de Glauber Rocha e Terra estrangeira de Walter Salles e Daniela Thomas mantendo, porém, como fio condutor das cenas a força da palavra poética, jogando luz sobre o fato de que a poesia é uma experiência nova a cada vez, assim como observado por Jorge Luis Borges em Esse Ofício do Verso (Companhia das Letras, 2000).

[Texto publicado em http://www.osnauticos.blogspot.com]

Um pensamento sobre “Estreia a intervenção cênica Poetas de vidro

  1. A ideia de inteirar poesia à teatro é um prato cheio para inspirações das mais inusitadas e a certeza de uma nova interpretação a cada expressão. Com certeza irei comparecer!

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