Edilson Pantoja

E-mail do escritor Edilson Pantoja

São Paulo. Noite. 11 de abril 2010.

Agora que ouça pela primeira vez um vinil de Lou Reed, encontro entre os meus e-mails este fragmento precioso do escritor Edilson Pantoja sobre a cidade onde eu nasci, Itaituba, no interior do Pará. O e-mail foi enviado no dia 28 de dezembro.

Vejam o que escreveu o escritor paraense, Edilson Pantoja.

“Rudinei, nunca estive em Itaituba, mas tenho com tua cidade um vínculo bem curioso, talvez indefinível. Nos anos oitenta, quando o garimpo atraiu tanta gente, andou por lá, a varar veredas virgens, subir e descer serras no meio da mata, entre peões, uma jovem viúva e mãe de cinco filhos, a maioria ainda gente pequena. Morávamos em Capanema, recém saídos do Gurupi. Ela trabalhou muito em barracos de garimpo na região do Cripuri como cozinheira: minha mãe. Foi como nos sustentou por quase toda aquela década. Uma história difícil de esquecer, marcada pela ausência física e de notícias.  Passávamos muitos meses sem saber nada, ela no meio da mata, distante de tudo. Ouvíamos que mulheres eram assassinadas em garimpos… Rezávamos… Só quando ia à cidade, nos telefonava. Então renovávamos a esperança, sabíamos que estava viva, e que voltaria. Os períodos de ausência eram também marcados por uma porção de necessidades… Como vês, uma história e tanto”.

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