Crônica de Rudinei Borges

Os desafetos

A ex-modelo com os seios à mostra é envolvida pelos braços do filho de quinze anos. A ex-modelo tem trinta e nove anos. O rapaz está sem camisa. O corpo dos dois foi besuntado de óleo para o ensaio de um jornal do Rio de Janeiro. Mãe e filhos se beijam enquanto são filmados. Abraçados, então, os corpos se misturam. São sarados. Assumem a intimidade de um casal. Mas são apenas mãe e filho. O vídeo é postado numa página da internet. As pessoas acessam. As pessoas julgam. A Vara da Infância e da Juventude determina a retirada de imagens do ensaio sensual. Num site uma mulher de codinome Tomy comenta o fato. Está escandalizada. “Com uma mãe dessas, quem precisa procurar mulher fora de casa, sendo que a própria mãe se insinua para o filho. Em que mundo estamos? É uma vergonha”, ela escreve estarrecida. Usa letras maiúsculas. Na televisão, uma apresentadora reúne os seus conselheiros donos da verdade e analisa o vídeo e as fotos. As mulheres, em particular, condenam. “Uma mãe não pode fazer isto”, insistem. “Uma mãe não deve expor o filho”, reivindicam. Aos poucos, o vídeo se torna um dos mais acessados da rede. As pessoas nas mesas de bar vão comentar a respeito. Amanhã a ex-modelo aparecerá num programa de televisão. Talvez um advogado se ofereça para defender a família acusada. Talvez a ex-modelo consiga algum contrato de trabalho e o filho, enfim, será o ator principal do próximo seriado para adolescentes. Depois vem o resto. Eles serão esquecidos. Ninguém mais vai falar sobre eles. Vão perder a graça, o encantamento. Ficará apenas a nossa hipocrisia. A mãe não pode beijar o filho. Na boca. A malvada vai ser condenada à fogueira. Outros rapazes de quinze anos continuarão por aí fumando craque na esquina enquanto pensamos nos seios da ex-modelo. No peitoral do filho dela. Eles são sarados. Os outros não. P.S: Esta crônica foi publicada no dia 10 de março de 2010 quando a ex-modelo participou do ensaio que resultou na fotografia acima e refere-se a este contexto. [Por Rudinei Borges]

6 pensamentos sobre “Os desafetos

  1. Fiquei com pena da Cristina. Acho que o desequilíbrio emocional dela é enfunção da sua tristeza, infelicidade por ter se tornado decadente. Ela não quer envelhecer. Não investiu no conteúdo apenas em seu corpo e agora não tem como viver mais dele. As pessoas adoram jogar pedras naqueles que já estão em frangalhos. Ao meu ver, ela precisa de tratamento e muita terapia. Precisa se refazer interiomente, se reinventar. Encontrando uma nova aptidão que refaça sua auto estima. Acho muito triste presenciar a decadência de um ser humano. Mas, muitos só conseguem se reerguer quando chegam no fundo do poço e acho que a prisão deverá ser encarada por ela como uma oportunidade de reflexão de toda a sua vida e valores. Só assim,. ela será capaz de recomeçar!!!

  2. A verdade é que estamos vivendo sem limites, pessoas sem noção do respeito, do pudor, e das leis divinas acha que, cada um vive do jeito que quer e ninguem tem direito de julgar os outros só Deus… Entao quemnao tem pecado atira a primeira pedra…. por isso essa sociedade esta tão violenta, tão escrota, e tão omissa!

    Como se Deus fosse se importar com esta merda toda, a parete dele ele fez… esse negócio de que atire as pedras apenas os sem pecados não cola…

    O ideal é chegar ao ponto de uma guerra civel cada um reivindicando os “seus” direitos?

    Se nossos governantes fossem pessoas instituidas para cuidar do povo seria tudo diferente, porém com um povo como o nosso que tipo de governates queremos colocar no poder, uma vez que o governo é parte integrande deste povo, corrupto, maldoso, e sem escrupulos moral…

  3. Quer saber? cada um vive do jeito que quer e ninguem tem direito de julgar os outros só Deus… Entao quemnao tem pecado atira a primeira pedra…

  4. SR. RUDINEI BORGES CRITICA A “TAL APRESENTADORA E SEUS CONSELHEIROS DONOS DA VERDADE” E AÍ EU ME PERGUNTO: E O SR. RUDINEI … ESTÁ OU NÃO JULGANDO( DO PONTO DE VISTA DELE) A ATITUDE DE PESSOAS QUE SEQUER CONHECEMOS?

  5. Achei seu comentário forçado, tipo, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
    O que importa não é nem o tanto que nos injuriamos com alguma realidade e sim o quanto nos dispomos a resolver tal problema. Portanto, se as pessoas se injuriam ou não nem é importante pois a maioria não passam disso, da injúria, que por si só é um sentimento inútil. Então, ao invés de escrever textos cobrando que as pessoas se injuriem, escreva textos dizendo como se resolvem as coisas.

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