Conto de Rudinei Borges

O homem solitário

O homem desceu a escada, passou pela sala e abriu a porta que dava para a rua. A rua estava vazia, os portões e as janelas das casas fechados. O vento espalhava as folhas das árvores pelas calçadas. Um cão, ou o fantasma de um cão, corria rumo à esquina. Era outono. O homem olhou para cima e para baixo e para os lados: tudo parecia cansado. O homem fechou a porta, tirou a roupa, sentou no sofá e assistiu televisão por horas. Depois ligou um aparelho de música e dançou sobre o carpete. O telefone tocou, mas o homem não atendeu. A campainha tocou, mas o homem não atendeu. Fingiu que era um zumbido no ouvido. O homem sentiu fome e foi até o armário. Encontrou bolachas e alimentou-se. Lavou as louças sobre a pia. Tomou banho. Fez a barba. Depois subiu a escada, entrou no quarto, deitou na cama e dormiu.

[Escrito em 7 de setembro 2009]

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