Crônica de Rudinei Borges

Morenidade

 

Que é que o teu corpo tem que dá vontade de tê-lo perto sempre? Coisa estranha a morenidade do teu corpo. A morenidade de que gosto tanto. E repito aos ares: arte sublime a morenidade. Acerto de Deus que nem escureceu nem clareou. Deixou o teu corpo com o tom da tardinha, quando a noite vem chegando, mas o dia ainda insiste em ficar.

E o teu riso? Quem edificou a candura do teu riso? Quem mensurou esta mistura de dor e alegria numa dose só? E o teu olhar? De onde vem este modo de dizer as palavras em silêncio?

Dá vontade de partir para os campos e levar nas mãos uma gaiola como quem vai procurar passarinhos. Dá vontade de prender o teu corpo. De deixá-lo à vista. De domá-lo. Mas me diz: existe visão mais triste que um passarinho preso? Não há. Por isso, abdico do meu querer, do meu impulso. Vai. Eu me contento em assistir o teu corpo a caminho das ruas, tomando o sol das ruas. E sinto aquele nó.

Queria o teu corpo pra mim.   

[por Rudinei Borges]

[Fim de tarde chuvosa em Sampa. 11 de dezembro 2009]  

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