Crônica/Textos de Rudinei Borges

O dia em que meu livro foi rejeitado

Hoje à tarde recebi um NÃO na cara. NÃO com letra maiúscula mesmo. Desses NÃOS que deixam a gente amarelado, vermelho, com uma fontade de xingar a mãe de fulano, o pai de sicrano. Em minha santa ingenuidade inventei de levar para uma pequena biblioteca na Estação Paraíso do Metrô, aqui em São Paulo, o meu primeiro livro, Chão de terra batida. Queria doá-lo para a biblioteca. Esperava um riso da bibliotecária e um possível muito obrigado por colaborar com o projeto inovador de incentivo à leitura. Mas NÃO foi isto o que aconteceu. Ao contrário. Mostrei o livro. Ela olhou e disse: “NÃO posso aceitá-lo. Só nos interessa best sellers. Os livros mais vendidos”. Engoli a notícia. Deu aquele nó na garganta. Aquela raiva. Depois que eu vi a lista dos livros mais emprestados e deu um troço em mim. Aquilo então é que é best seller. Olhei para os lados. Agradeci por educação. Fui embora com o meu livro entre as mãos suadas. Acho que vou odiar para o resto da vida este estrangerismo, best seller. Best seller. Best seller. Best seller. Best seller. Best seller é o diabo.

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