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Poema de amor

Mania feia esta de dizer eu te amo.

Vício ignóbil de linguagem.

Amor é coisa sagrada.

Não se pode invocar em vão.

É como o nome de Deus.

Não adianta chamar toda hora.

 

O amor é surdo.

É mistério que ninguém consegue expressar em palavras.

Nem com a conjugação correta dos verbos.

Nem com prosopopeias e metáforas.

Arrojos. Acrobacias. Subterfúgios.

Devaneios. Solilóquios. Sussurros.

 

Amor é bicho difícil de domesticar.

Espírito encantado das colinas.

Pluma que se perde ao vento,

mas por vezes cai em nossas mãos.

É grão de mostarda. É mar morto. Capadócia.

 

Amor é viagem que a gente imagina.

Sonho em madrugada fria.

É sobrado velho pintado com as cores do inefável.

Por isso, é bonito. Cega a vista. Cega a alma.

Deixa a gente louco. Estarrecido. Calado.

Cheio de lágrimas no canto dos olhos.

 

Amor é canção de roda. Esconde-esconde.

É o amigo invisível dos meninos que correm na praça.

Carta amarelada das mulheres no alpendre.

Rosto na janela.

É pão sobre a mesa.

Risada interminável.

 

Amor é gesto. É corpo.

São olhares que se entrecruzam de manhãzinha.

Não é dizer. Não é conversa.

É ato abrupto. Abraço apertado.

 

Amor é silêncio.

 

poema: rudinei borges 

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