Literatura/Literatura Brasileira

Todos os dias eu vou ao jardim do museu. Todos os dias olho para mim com a esperança dos assassinos. Eu sou abrupto e sinto fome e sono e sede. Nunca vi o meu pai. E a minha mãe é um espectro que invade os meus sonhos. Eu sou mortal e mantenho a mão aberta para qualquer esmola. Tenho vontade de correr como os meninos do museu, mas sou inerte. Aquela mulher na fotografia da sala era a minha mãe. Ah, não. Eu já amei como a minha mãe. Já fui alguém como a minha mãe. Mas dentro daquele sorriso há uma tristeza sutil que vem não sei de onde.

(Acho que escrevi em 2008. Encontrei num papel pequeno e meio amassado).

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