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rudinei borges

ofício do POETA

Rudinei Borges (Itaituba, Pará) é dramaturgo, poeta e ficcionista brasileiro. Ator e diretor de teatro. Formou-se em Filosofia.

Literatura – O primeiro livro de Rudinei Borges, Chão de terra batida, foi recebido com entusiasmo por críticos como Afonso Romano de Santana e a pesquisadora Iná Camargo, da Universidade de São Paulo. A atriz Juliana Galdino considera o livro “um intenso depoimento, um testemunho que pode já ser – sem pretensão de ser – um testamento”. Para  Carlos Alberto Rodrigues Pereira, mestre em  Literatura Brasileira pela PUC/SP, “os poemas de Rudinei Borges possuem uma propriedade peculiar: conseguem nos impregnar da mesma nostalgia de seu autor, como se odores, sabores e outras sensações que percorrem a sua poesia se integrassem às lembranças de cada leitor. Epifanias que eclodem de cenas cotidianas revelam um universo repleto de singelas riquezas, para o qual somos transportados, por força do claro estilo do escritor. A propósito deste estilo, afirma o pesquisador, o rigor de quem procura a palavra exata e a simplicidade derivada da opção por prescindir de efeitos vazios se encontram em medidas precisas na escrita de Rudinei, o que nos faz crer estarmos diante de um poeta destinado a se consolidar entre os melhores”.
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Por meio de uma prosa memorialista, algo que transita entre o regional e o universal, Rudinei Borges,  apresenta-nos uma revisitação de seu espaço primeiro, no caso, o interior da Amazônia brasileira. Para Edner Morelli, poeta e também mestre em  Literatura Brasileira pela PUC/SP, os poemas e textos de Rudinei guardam uma potencialidade infindável de sugestões poéticas, que vai do tom impressionista-cotidiano à surpreendente reflexão existencial-filosófica. Rudinei cria, ou melhor, re-cria sua própria mitologia, ao recuperar as figuras familiares mais íntimas, os espaços mais longínquos de sua infância-raiz, apontando para um movimento curioso de representação, que abrange o lado interior e exterior do poeta.

Para Edilson Pantoja, romancista e mestre em Estudos Literários pela UFPA, Chão de terra batida é um livro mítico. Ele remonta ao barro primitivo para tocar no mistério da gênese. Não da phýsys enquanto mundo objetivo, mas do cosmos subjetivo da poesia de Rudinei Borges. Narrativa em que as principais referências são femininas: a mãe, a vó, a Amazônia, grande ventre do qual aquelas parecem constituir figura.

Para Carlos Eduardo Marcos Bonfá, escritor e mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista, a cotidianidade da poesia de Rudinei Borges chama atenção. Uma cotidianidade singela, mas mesclada com elementos fantásticos, atingindo, através de algumas imagens e metáforas, os limiares de uma surrealidade distante da visão de mundo mais ortodoxa propagada pelos surrealistas franceses e também distante da violência e do erotismo típico deles. Trata-se de um cotidiano envolvido pelo fantástico com toda sua comoção singela, em que Deus é menino, em que Deus é palpável, comunicável e participa de nossa vida como mais um vivente perambulando por aí. Esta singeleza dá espaço a alguns mais ásperos e intensos momentos, como o poema Catedral de Sant´Ana.

Rudinei “tem a mão e o pulso do poema, seja ele texto, silêncio, vazio, chão, sangue, rios, árvores ou barro”, comenta o escritor Daniel da Rocha Leite. Para o poeta paranaense Rodrigo Domit, Chão de terra batida é, como o título já sugere, literatura sem reboco. Não tem rodeios nem rodopios, nem temperos ou condimentos, é literatura pura e simples, crua. Não se trata da poesia teorizada e lapidada para atingir a perfeição, trata-se da perfeição da poesia vivida”. Para a escritora Lunna Guedes “não há pressa em suas linhas. Os versos cantam a saudade de um tempo distante do nosso. Até parece que não é real”.  Segundo o pesquisador Lou Caffani, Rudinei Borges não fala das reminiscências de sua vida, as faz cantar. Chão de terra batida não é uma recordação de sua infância e de seu povo, é um devir-canto dessas potências que (re)fazem uma potência viva.

Teatro – Rudinei Borges inicia a sua trajetória e pesquisa cênica integrando grupos populares de teatro ligados às comunidades de base, grupos literários, movimentos sociais e ecológicos no interior do Pará. Neste período, cria encenações apresentadas em várias comunidades das rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá. E na periferia de Itaituba. Em 2000 e 2001, atua na peça Brasil nunca mais, montagem sobre a Ditadura Militar organizada por estudantes e professores, apresentada para líderes de Comunidades Eclesiais de Base da região. Em 2002, participa do Festival de Teatro de Santarém, com a performance Brasis.

Em São Paulo, funda o Núcleo Macabéa Teatro de Agruras. Junto ao Grupo Bento do Portão, em Santo Amaro, passa a trabalhar com moradores em situação de rua no Largo Treze de Maio. Com a comunidade Casa Blanca, na periferia da Zona Sul, dirige o Auto de São João Batista, apresentado por três anos durante as festas juninas. Em 2004, dirige e atua na peça Diálogos poéticos com o poeta Edner Morelli.

Em 2005, realiza pesquisa de campo com objetivo de registrar memórias de migrantes da Rodovia Transamazônica, no município de Rurópolis e Placas, no Pará. O material resulta em criações dramatúrgicas e intervenções cênicas.

De 2007 a 2009, estuda atuação do Teatro Escola Macunaíma. Atua nas montagens O homem que se transformou em cãoO alienista e O conto da Ilha desconhecida. Em 2010, escreve o Auto dos Ribeirinhos, peça apresentada em Itaituba, dirige e coordena a dramaturgia da montagem cênica Poetas de Vidro, que fica em cartaz no Sesc/SP e no Centro Cultural Casa de Barro. Em 2011, conclui o texto da peça Memorial do Cais. Passa a coordenar o núcleo de dramaturgia da Trupe Sinhá Zózima, onde é artista residente. Recebe o prêmio de Melhor Ator no I Festival de Cenas Extraordinárias do Brasil (Festex). Inicia a pesquisa para o texto da peça Agruras.

Livros

  • Chão de terra batida. All Print Editora, 2009.

Dramaturgia

  • Auto de São João, 2003.
  • Auto dos Ribeirinhos, 2010.
  • Memorial do cais, 2011.

Participação em antologias de poemas

  • Antologia do 19 Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody. Curitiba: Secretaria de Cultura, 2009.
  • Antologia do II Prêmio Canon de Poesia. São Paulo: Scortecci, 2009.
  • Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 57. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores,  2009.
  • Poesia de Corpo & Alma. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores,  2009.

Participação em antologias de contos

  • Dimensões.BR – Contos de Literatura Fantástica no Brasil. São Paulo: Andross, 2009.

Participação em livros sobre Educação

  • Educar e Aprender. São Paulo: Editora In House, 2009.
  • Construindo saberes. São Paulo: Editora In House, 2009.

Outros livros

  • Bate-papo no gramado: filosofia – razão e emoção. São Paulo: In House, 2008.

Prêmios

  • Novos e antigos poetas – Secretaria de Cultura – Itaituba, Pará – 1997.
  • Prêmio  Helena Kolody – Secretaria Estadual de Cultura do Paraná – 2009.
  • II Prêmio Canon de Poesia – São Paulo – 2009.
  • Melhor Ator no I Festival de Cenas Extraordinárias do Brasil (Festex) – 2011.

Roteiro de vídeo-documentário

  • Coleção Filosofia – SBJ Produções 2010.
  • Coleção Sociologia – SBJ Produções 2011.